Uma breve análise das bizarrices encontradas no site Pravda.Ru
Não é só em inglês que é possível encontrar exemplos incríveis de bom jornalismo. A edição em português também é caprichada.
A foto-reportagem Elvis está vivo e mora na Argentina (!!!) é um primor. Como o texto foi copiado da Agência Cubana de Notícias, eles foram fiéis até nas falhas. Vejamos.
A manchete é categórica, mas só lá pelo meio da matéria se descobre que não há provas do fato, são apenas suposições. Na primeira foto, a legenda informa: “O mundo comemora estes dias 30 anos da morte de Elvis Presley” (grifo meu) Peraê! O mundo comemora a morte do Elvis, ainda por cima estes dias? Cadê a data certa?
Não vou nem entrar no mérito da péssima redação (tradução?), mas essa frase não podia passar: “(…) [Em 1977] um homem chamado John Burrows que tinha um surpreendente parecido com o Rei do Rock & Roll, foi visto comprando bilhetes aéreos a Buenos Aires.” Tive ainda muitíssima boa vontade em procurar no Google várias formas da expressão “ter um parecido” (talvez fosse português de Portugal, vai saber), mas não encontrei em nenhum lugar ela sendo utilizada no sentido de “ter semelhança física”. Logo, é erro mesmo. Se não for, avisem-me.
Outra foto-reportagem digna de nota é a Bárbara Paz vai ser a gostosa de setembro [sic]. A primeira legenda é curta e direta: “Bárbara Paz é a capa da Playboy de setembro. Muitas confusões e palpites foram feitos em relação à capa de setembro, mais [sic] a verdadeira é essa. A protagonista de uma das novelas do SBT vai ser a gostosa de setembro”. Com essa, as feministas podem arrancar os poucos cabelos que sobraram depois da primeira parte da Série Pravda.
Como o site é justo e credita as fotos, tá lá para quem quiser conferir: “Totos fotos Marcos Lopes, 2.vol.com.br”. Em consideração ao fotógrafo Marcos Lopes, agora eu coloco o crédito de forma compreensível:

Todas as fotos: Marco Lopes (http://www2.uol.com.br/barbarapaz/)
Por fim, a matéria Gays têm o corpo em forma de ampulheta. De início, ela já vai para o rol de matérias com manchetes ridículas que impedem o leitor de considerar seriamente o que está escrito abaixo. Enfim, ela relata a pesquisa publicada no jornal da American Psychological Association que comprova que, pelo jeito de andar e formato do corpo, pessoas “comuns” conseguem identificar gays e lésbicas sem precisar olhar o rosto. Até aí, tudo bem, parece ser o senso comum.
Minha implicância é a seguinte: dá pra confiar em uma pesquisa que analisou a maneira de andar de apenas 16 voluntários? E que mostrou que só 60% dos entrevistados identificaram os homens homossexuais corretamente, errando mais ainda quando se tratava de apontar as mulheres homossexuais? E que, apesar disso, chega à conclusão de que “observadores comuns podem identificar corretamente um gay ou uma lésbica com um mínimo de informações”?
Bom, pelo quadro “As Aparências Enganam”, do programa Melhor do Brasil, da Rede Record, conclui-se justamente o contrário.