
A primeira vez que ouvi The Go! Team foi no site Pandora, que hoje funciona só nos EUA. Imagina como seria o teu conceito de “música” no teu plano das idéias particular. Pois é. A alegre Huddle Formation fechou exatamente com o meu conceito ideal de música. Era a canção que eu havia esperado a vida toda para ouvir, e estava tocando ali, como reles música de fundo no meu trabalho. Em uma tarde, descobri quase tudo que havia pra se saber sobre a banda, e a partir daí The Go! Team entrou definitivamente na trilha sonora da minha vida.
Em seguida ouvi Thunder, Lightining, Strike – o primeiro álbum dos caras, de 2004 – inteiro, e a cada música eu fiquei mais maravilhado. Pra completar, ainda conferi performances ao vivo do The Go! Team no You Tube (eles cantam com letras diferentes da versão do álbum!) e me detestei por não ter conhecido eles antes.
O som é uma mistura de Atari com trilha sonora de Sessão da Tarde com cantos de cheerleaders com vários instrumentos originais com vocais femininos incompreensíveis. Excelente.
No primeiro álbum, destacam-se os wannabe-hits Ladyflash, Huddle Formation, We Just Won’t Be Defeated e Bottle Rocket, além das instrumentais Feelgood by Numbers, Get it Together e Everybody is a V.I.P. to Someone – essa eu já ouvi na Rádio da Unisinos. Se Ladyflash despontou como a música mais conhecida, inclusive com remixes respeitáveis (até o Hot Chip fez um), foram a “Huddle…” e a “We Just…” as que eu mais gostei, já que ambas me transmitem uma sensação paradoxal de euforia em pleno final de domingo (quando todos sabem que não há, em toda a semana, horário mais depressivo que esse).
Ali por julho saiu na internet o single “Grip Like a Vice”. Enquanto prévia do novo álbum, a faixa foi decepcionante. Caindo para o hip hop, com uma melodia previsível e sem entusiasmo, parecia condenar todo o CD “Proof of Youth”, lançado agora no começo de setembro, ao fracasso. Felizmente, não se deve julgar um livro pela capa, muito menos um CD pelo single: o novo trabalho da banda mantém o mesmo pique e juventude de 3 anos atrás, justificando seu título.
A sensação de “eu já ouvi isso antes” se justifica pelo uso de elementos de muitas outras músicas, devidamente creditados. Eu poderia me alongar comentando cada faixa, já que é difícil selecionar uma ou duas preferidas. Doing it Right, Keys to the City, The Wrath of Marcie são a cara do The Go! Team, e possuem refrões que grudam como chiclete; as parecidas Titanic Vandalism e Flashlight Fight liberam mais energia; a instrumental My World, como o nome diz, é uma faixa autista, ótima para se ficar viajando; I Never Need It Know So Much lembra vagamente baladinhas das décadas de 50 e 60; Fake ID, a melhor do álbum, é uma cópia de Huddle Formation, mas sem a mesma vibração.
Para os brasileiros, há dois grandes destaques. O primeiro é a participação da Marina Ribatsky, do ultracool Bonde do Rolê, na música Universal Speech. O outro só é descoberto bem na finaleira. A grande influência dos sons genuinamente brazucas está última faixa, em Patricia’s Moving Picture: os elementos utilizados são da tradicionalíssima Mulher Rendeira, de Zé do Norte e os Guriatãs – Zé, aliás, mesmo morto em 1979, “co-assina” a música com seu nome verdadeiro, Alfredo Ricardo do Nascimento.
O segundo álbum do The Go! Team complementa o primeiro, desenvolvendo as sementes lançadas em 2004. O resultado é bastante convincente, embora não tenha a mesma espontaneidade de antes. Passa a impressão de que eles precisaram pensar muito e quebrar a cabeça para conseguir a mesma sonoridade do primeiro. Parece bem improvável que eles consigam emplacar um terceiro álbum sem mudar sua proposta musical. O que é uma pena.